O que significa a maturidade do franchising brasileiro?
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O que significa a maturidade do franchising brasileiro?
O crescimento do número de franquias é apenas uma parte da evolução do franchising.
Um setor amadurece quando, além de abrir novas unidades, passa a desenvolver melhores práticas de gestão, processos mais estruturados, tecnologia, governança e relações mais profissionais entre franqueadores e franqueados.
É esse movimento que vem sendo observado no franchising brasileiro.
Em 2025, o setor ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 300 bilhões em faturamento. Foram mais de 202 mil operações em funcionamento no país, ligadas a 3.297 redes e responsáveis por cerca de 1,76 milhão de empregos diretos. Os números mostram expansão. Mas a maturidade aparece principalmente na forma como o crescimento está sendo discutido.
Crescer deixou de ser apenas abrir mais unidades
Durante muito tempo, o sucesso de uma rede de franquias foi medido principalmente pelo número de unidades abertas. Esse indicador continua importante, mas não é suficiente para avaliar a qualidade de uma expansão.
Uma rede precisa ser capaz de crescer mantendo:
- padrão operacional;
- rentabilidade;
- suporte aos franqueados;
- qualidade do produto ou serviço;
- processos de gestão;
- capacidade de adaptação.
O novo ciclo do franchising brasileiro vem sendo marcado justamente por uma maior atenção à eficiência e à sustentabilidade das operações.
A ABF aponta para 2026 tendências como maturidade do setor, eficiência operacional, interiorização, uso estratégico da tecnologia e consolidação das redes.
A profissionalização das redes se torna cada vez mais importante
Quanto maior uma rede se torna, maior também é sua complexidade. A gestão deixa de envolver apenas a relação entre uma empresa e algumas unidades. Passa a envolver diferentes regiões, perfis de franqueados, fornecedores, tecnologias e necessidades operacionais. Por isso, a profissionalização se torna essencial. Uma rede madura precisa de processos capazes de transformar conhecimento em padrão. Precisa saber como treinar, acompanhar e apoiar seus franqueados. Também precisa ter clareza sobre os critérios usados para expandir. Crescer sem método pode aumentar os riscos. Crescer com processos estruturados permite que a expansão seja planejada de forma mais consistente.
A relação entre franqueador e franqueado também amadurece
O franqueado não é apenas alguém que compra o direito de utilizar uma marca. Ele é responsável pela operação de um negócio. Por isso, a qualidade da relação entre franqueador e franqueado influencia diretamente a evolução da rede.
Temas como transparência, comunicação, treinamento, suporte e rentabilidade ganharam ainda mais importância.
A própria ABF tem reforçado discussões sobre fortalecimento dessa relação, alta performance operacional, inteligência de dados, sustentabilidade, governança e cultura organizacional como vetores relevantes para o desenvolvimento do setor.
Tecnologia deixa de ser apenas inovação e passa a fazer parte da operação
A tecnologia também é um dos sinais desse novo estágio do franchising. Ferramentas digitais e inteligência artificial deixam de ser apenas diferenciais de marketing e passam a ser utilizadas para melhorar processos, analisar dados e aumentar a eficiência das operações. O desafio não é simplesmente adotar tecnologia, é compreender onde ela realmente contribui para a operação.
Essa é uma das diferenças entre acompanhar uma tendência e utilizar uma ferramenta de forma estratégica.
O consumidor também contribui para a maturidade do setor
O mercado de franquias evolui junto com o comportamento do consumidor. Consumidores mais informados comparam produtos, pesquisam marcas e esperam experiências consistentes. Isso aumenta a responsabilidade das redes.
Uma marca precisa manter sua identidade independentemente da unidade onde o consumidor é atendido. Essa consistência é um dos principais desafios de qualquer operação em expansão.
O próximo passo é crescer com mais qualidade
O franchising brasileiro continua crescendo. A projeção da ABF para 2026 é de avanço nominal entre 8% e 10% no faturamento do setor. Mas o momento atual indica que a discussão não está apenas em torno de “crescer mais”. A questão passa a ser como crescer melhor. Isso envolve eficiência, processos, tecnologia, relacionamento e sustentabilidade financeira. A maturidade do franchising brasileiro está justamente nessa mudança de perspectiva. Abrir novas unidades continua sendo importante.
Mas construir uma rede capaz de permanecer relevante, apoiar seus empreendedores e manter a qualidade durante a expansão é o que transforma crescimento em desenvolvimento de longo prazo.
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